sábado, 10 de dezembro de 2011
Paisagem
sábado, 3 de dezembro de 2011
PAULO FERNANDES
sábado, 19 de novembro de 2011
O Cabugi
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Canção na plenitude
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.
Lya Luft
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Restos de julho
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Fuga de bar
Nei leandro de castro [ Escritor ] Bar, doce bar, dócil lar, refúgio dos corações em fase aguda de paixão, nau de todos os marinheiros desgarrados, único túmulo digno de um almirante batavo, quatro paredes protegendo o delírio, lírio que cresce em estufa alimentada a álcool, vapores do sonho impossível, nuvens azuis dos licores, voz solidária, jamais solitária, a lucidez molhada dos seus habitantes, os bêbados de todas as bebidas, a presença da mulher que ilumina a noite como um castiçal de prata, a liberdade súbita do tímido que não sabe o que fazer com as mãos e com a emoção, a tristeza redonda do adolescente bebendo o seu primeiro quinado, reinado de nada onde ninguém é vassalo, bar, doce embalo. Bar, história, tribuna ocupada trezentos e sessenta e cinco dias ao ano por Albmar Marinho, que impetrava mandado de segurança contra os desmandos da noite, contra a tristeza paquidérmica dos elefantes do circo, contra os soluços do coração, contra as mortes prematuras. Bar, território livre, campo sem guerra ou armistícios, belos vícios, malícia de mulher que arremessa o dardo de um olhar, cupido tramando encontros e desencontros para depois de amanhã, balcão veneziano onde amores adolescentes se suicidam de prazer. Bar, águas de mar, águas de março a março, mormaço. O bar e sua legião de antiguerreiros. A História jamais registrou o ataque de um exército de bêbados contra um país vizinho. Os que amam o bar só disputam a conta da mesa e suas armas mais ofensivas são os palitos do jogo da porrinha. Bar eleito, lugar de cismas, carisma, de que matéria é feito um bar? Não bastam um balcão, bebidas e comidas. Todo bar terno e eterno tem algo imponderável, a onipresença de Baco, Dioniso e Afrodite, que é a Débora Secco do passado distante. No bar eleito, por mais simples que seja o ambiente, a gente respira uma atmosfera antiga, sente o aroma de um vinho servido no Olimpo. Um bar eleito: o Lamas de muitas madrugadas, principalmente o velho Lamas do Largo do Machado, em cuja atmosfera de fumaça era possível sentir a presença de velhos fantasmas: Lima Barreto em delirium tremens, Rui Barbosa bebendo xarope de groselha, Olavo Bilac pedindo cerveja em versos alexandrinos, Machado de Assis passando ao largo, o adolescente Castro Alves morrendo de amores por uma atriz portuguesa, querendo beber cicuta. Outro bar eleito: o velho Granada Bar, de Nemesio Morquecho Marina. Um corredor estreito que conduzia a um salão sob árvores, íntimo como uma praça, como diria Garcia Lorca. Em certas noites, com saudade de sua Andaluzia, Don Nemesio abria garrafas de vinho espanhol, fechava as portas aos intrusos e bebia em grandes goles, depois de que passava a recitar coplas andaluzas, aplaudido de pé pelo sempre presente Berilo Wanderley. Ah, meu querido Berilo! Se a eternidade existe, com certeza você já descobriu por lá um barzinho discreto, tranqüilo, onde o tempo se arrasta. Um bar com entrada proibida a chatos, arrogantes e maus poetas. Bares da minha vida. Bar, doce lar, fuga, som baixo, contrabaixo, Chopin, chopinho, fuga de Bach. |
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Desconstruindo Maria Emilia
sábado, 17 de setembro de 2011
Sonho de consumo
sábado, 10 de setembro de 2011
A Bela e a Fera
domingo, 4 de setembro de 2011
Recadinho
O doce de jaca
terça-feira, 30 de agosto de 2011
O vestido de trevo de quatro folhas
domingo, 28 de agosto de 2011
Conversa com o Poeta Diógenes da Cunha Lima
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
O Muro
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Paixão
domingo, 21 de agosto de 2011
Alô, Alô Jarbas Martins

Alô, Alô Jarbas Martins!
Existe uma Estação aqui bem pertinho do Cabugi, onde Berilo passou a infância, que fica em frente a casa velha da fazenda. Foi tudo planejado pelo Cel. Luis Pinheiro, avô materno de Berilo.
A Estação Santa Cruz, e veja como ela é linda! Junto à magia dos “causos” de Berilo, ela me fascina. O trem trazia alimentos e notícias da cidade. O pessoal da casa se preparava e se perfumava diariamente para ver a chegada desse trem. Berilo me falava coisas incríveis, como a morte de um passageiro - foi a primeira vez que Berilo menininho viu a morte de perto. Ele lembrava de sua mãe correndo trazendo um lençol branco para proteger o morto, e contava detalhes dessa e de outras lembranças.
Não vamos precisar de John Ford para começar seu filme: temos a Estação, o cenário está aí e é todo seu! Podemos até negociar, quem sabe, com aquele velho e antigo chapéu da Insustentável leveza (risos). O roteiro, conte com Mario Ivo, meu tesouro da juventude. E por falar em juventude, a idade tem uma coisa interessante: a juventude vive dentro de nós, e por ser tão íntima, faço o meu roteiro - e cá para nós, me saio muito bem. Quanto ao lado biológico, ah meu Deus! E os mais novos que seguram o meu braço com cuidado para eu não tropeçar, ah como eu acho chaaato! Não sabem eles que meus tropeções maiores são os da alma, porque o corpo, os médicos corrigem.
Adorei a sua idéia de fazer um filme, e viva Angicos e viva a você!
MEmilia